10 julho 2007

Relato insignificante de um episódio sem interesse que caracteriza a realidade prática das crónicas de uma vida alheia quiçá útil às autoridades ...

Na região de Madrid (M30, M40,M45 ou seja nas radiais de Madrid) um carro abranda ao meu lado.

Chama a minha atenção pelo facto de se colar a mim e seguir à mesma velocidade, e quando reparei nele, a pessoa que vai ao lado do condutor exibe uma carteira com um distintivo policial e com a outra mão faz faz-me sinal para encostar.

A primeira reacção de qualquer mortal é que se trata de uma fiscalização policial ou então que seguíamos a velocidade superior à que era permitida.

Por uns breves instantes pensei que que esta história do limite das velocidades já deveria estar há muito tempo totalmente uniformizado e semelhante em todo o território europeu. Aliás, o Código da Estrada devia ser igual para todos os países da Europa e a carta de condução de um Estado membro deveria ser válida por 50 anos nos restantes. Enquanto não se alcançar isto nem me sequer é possível ouvir falar de um Tratado Europeu …

Mas, mesmo sabendo do que se tinha passado, por fracções de segundo, o meu instinto fez-me reduzir a velocidade e passar à faixa da direita com o objectivo de parar.

A tal viatura colocou-se à minha frente com a intenção de parar a minha marcha.

Noutra fracção de segundo recordei o que se havia passado uma semana antes com um meu conhecido e voltei à faixa central acelerando o carro à velocidade normal.

Voltaram a colar-se ao meu lado esquerdo, tornando a indicar-me que parasse, exibindo de novo o crachat policial com insistência.

Mais seguro que nunca, disse-lhes por gestos que não parava e com o telemovel na mão disse-lhes que iria ligar à Polícia.

Resultou.

Eles abrandaram a velocidade passaram para a faixa central e depois para a da direita e rapidamente sairam da via principal.

No meu caso a abordagem foi efectuada por um Ford Mondeo preto, matrícula M0036 Tl e dentro do carro estavam 3 sujeitos, com ar de sul americanos, de fato e gravata e óculos escuros.

Sabendo que com o carro da frente não se havia passado nada porque o visualizava. apressei-me a avisar o carro de um amigo meu que vinha atrás.

Não consegui ligação imediata e passados alguns minutos quando conseguimos estabelecer essa ligação obtivemos a informação que outro carro, um Volvo beje, com 2 sujeitos, tinha procedido da mesma forma, fazendo-os parar.

Ainda com os ocupantes dentro do carro, deitaram a mão à chave do carro.

Num mau castelhano disfarçaram dizendo que andavam à procura de droga e armas, justificação que fica sempre bem porque anda sempre na ordem do dia.

Quiseram ver passaportes (inexistentes) e cheiraram as mãos às pessoas.

Entretanto uma das ocupantes do carro, lembrou-se do meu relato e começou a falar alto para o outro amigo dizendo que aquilo era mentira e agarrou no telemóvel, situação que deixou os assaltantes nervosos.

Um deles confirmou que no pulso do condutor havia um relógio de elevado valor e tentou que ele tentasse tirar o relógio, com a descupla de verificar se existia droga.

Aí esse meu amigo não só não lhe deu o relógio como fez menção de sair do carro o que os assustou, acabando por abandonar o local.

Tudo isto contado agora, a frio, parece fácil de resolver.

Na altura, acreditem que não é.

Com a pessoa que me contou esta história passada na semana anterior, foi exactamente o mesmo e mais tarde foi-lhe dito por um guarda civil que tinha procedido bem porque, mesmo em carro à paisana, a polícia anda com uniforme.

Foi-lhe relatado por esse polícia que, geralmente, as pessoas saem do carro, deixando a chave na ignição e enquanto um o distrai o outro entra no carro e foge.

Informou mesmo que não se preocupam muito com o facto de irem crianças atrás ou não, que abandonam à sua sorte logo que podem e que esses carros (os de maior cilindrada e valor) nunca mais aparecem estando em crer que se destinam ao norte de África ou Leste Europeu.

Uns quilómetros à frente numa paragem demos com uma polícia a quem o meu amigo relatou o que havia acontecido, dando todas as informações incluindo matrículas, que devem ser falsas obviamente.

A terminar e tendo em consideração que este relato até poderia ser enviado às Embaixadas, devo concluir que espantado fiquei com a morosidade e confusão que está instalada nos meios policiais espanhóis.

Comparando com outro país, tão distante de Espanha em tudo (diz-se), confirmo que foi uma tristeza.

Nenhuma das autoridades contactadas de imediato quis aceitar a denúncia, mandando-me para serviço, atrás de serviço.

Ao fim de contactar 4 serviços lá consegui que ouvissem o meu relato, mas dele nada fariam a não ser que me apresentasse numa esquadra.

Parece caricato, mas comecei a tentar a denúncia na província de Madrid e na última tentativa já estava na de Toledo.

Quer dizer, a vontade de apanhar estes indíviduos não deve ser muita (quiçá porque parece que a abordagem é feita a estrangeiros e não a espanhóis).

O que sempre pensámos foi que, havendo vários carros patrulha nessas vias, na posse das características dos carros e em cima do acontecimento era bem possivel apanhá-los.

Mas não quiseram.

Paciência.

Aqui fica a relato para o passarem a quem entenderem.

Este tipo de situação também poderia acontecer em … (imagine-se) … Portugal!

Talvez tenha ocorrido no passado dia 8 de Abril (Domingo), cerca das 23:00 horas, a um Homem que seguia na Autoestrada A1 e estava perto de Santarém no sentido de Lisboa, quando começou a ser perseguido insistentemente por um automóvel.

O automóvel tinha lá dentro 4 pessoas.

Quando o Homem acelerava o outro também acelerava e quando o Homem abrandava o outro abrandava igualmente.

Isto durou até perto de Alverca!

Já algo preocupado, iamginemos que o Homem decidiu ligar-me pelo telemóvel e contar-me o que se estava a passar.

Enquanto me explicava ao telemóvel esta perseguição, relatou-me o que lhe estava a acontecer nesse preciso momento.

Era o seguinte:

O tal veículo aproximava-se do carro dele pela faixa da esquerda, ficando em paralelo com ele durante algum tempo.

O Homem viu então o indivíduo do lugar ao lado do condutor gesticular e mostrar-lhe algo que lhe pareceu ser um distintivo da polícia, fazendo-lhe sinal para encostar.

O Homem comentou comigo que tencionava encostar pois sabia que tinha estado em excesso de velocidade durante algum tempo.

Pensava ele que iria ser multado.

No entanto eu aconselhei-o vivamente a não parar, pois se se tratasse da polícia, para o mandarem parar teriam que ter luz de emergência no carro e, caso efectivamente quisessem multado, bastava-lhes registar a matrícula do veículo transgressor e enviar depois a multa pelo correio.

Aconselhei-o também a ligar de imediato para o 112 e comunicar a ocorrência, pois se tais srs. fossem da polícia isso seria confirmado de imediato pelo 112.

Bem, lá imaginação e soluções alternativas não me podem acusar. Isto deve ser o resultado de ver tantas séries televisivas acerca de Crimes sob Investigação, em que tudo é resolvido num ápice …

O Homem assim fez e ligou para o 112.

Fiquei sem saber se o auxílio da polícia se fez sentir de forma alguma ...

No 112 confirmaram que não se tratava de um carro da polícia (o Homem descreveu o carro suspeito e deu a respectiva matrícula), disseram-lhe que tinha feito bem em não parar.

No entanto, não quiseram ficar sequer com a identificação do Homem e disseram-lhe, de má vontade, que se quisesse apresentar queixa teria que ir a uma esquadra.

Afinal, pelos vistos, no que diz respeito a ineficácia em acudir a uma emergência, não se distingue por ser portuguesa ou espanhola; antes, poderá ser mundial, e o pior é que se actua assim em quase todo o mundo …

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