Na região de Madrid (M30, M40,M45 ou seja nas radiais de Madrid) um carro abranda ao meu lado.
Chama a minha atenção pelo facto de se colar a mim e seguir à mesma velocidade, e quando reparei nele, a pessoa que vai ao lado do condutor exibe uma carteira com um distintivo policial e com a outra mão faz faz-me sinal para encostar.
A primeira reacção de qualquer mortal é que se trata de uma fiscalização policial ou então que seguíamos a velocidade superior à que era permitida.
Por uns breves instantes pensei que que esta história do limite das velocidades já deveria estar há muito tempo totalmente uniformizado e semelhante em todo o território europeu. Aliás, o Código da Estrada devia ser igual para todos os países da Europa e a carta de condução de um Estado membro deveria ser válida por 50 anos nos restantes. Enquanto não se alcançar isto nem me sequer é possível ouvir falar de um Tratado Europeu …
Mas, mesmo sabendo do que se tinha passado, por fracções de segundo, o meu instinto fez-me reduzir a velocidade e passar à faixa da direita com o objectivo de parar.
A tal viatura colocou-se à minha frente com a intenção de parar a minha marcha.
Noutra fracção de segundo recordei o que se havia passado uma semana antes com um meu conhecido e voltei à faixa central acelerando o carro à velocidade normal.
Voltaram a colar-se ao meu lado esquerdo, tornando a indicar-me que parasse, exibindo de novo o crachat policial com insistência.
Mais seguro que nunca, disse-lhes por gestos que não parava e com o telemovel na mão disse-lhes que iria ligar à Polícia.
Resultou.
Eles abrandaram a velocidade passaram para a faixa central e depois para a da direita e rapidamente sairam da via principal.
No meu caso a abordagem foi efectuada por um Ford Mondeo preto, matrícula M0036 Tl e dentro do carro estavam 3 sujeitos, com ar de sul americanos, de fato e gravata e óculos escuros.
Sabendo que com o carro da frente não se havia passado nada porque o visualizava. apressei-me a avisar o carro de um amigo meu que vinha atrás.
Não consegui ligação imediata e passados alguns minutos quando conseguimos estabelecer essa ligação obtivemos a informação que outro carro, um Volvo beje, com 2 sujeitos, tinha procedido da mesma forma, fazendo-os parar.
Ainda com os ocupantes dentro do carro, deitaram a mão à chave do carro.
Num mau castelhano disfarçaram dizendo que andavam à procura de droga e armas, justificação que fica sempre bem porque anda sempre na ordem do dia.
Quiseram ver passaportes (inexistentes) e cheiraram as mãos às pessoas.
Entretanto uma das ocupantes do carro, lembrou-se do meu relato e começou a falar alto para o outro amigo dizendo que aquilo era mentira e agarrou no telemóvel, situação que deixou os assaltantes nervosos.
Um deles confirmou que no pulso do condutor havia um relógio de elevado valor e tentou que ele tentasse tirar o relógio, com a descupla de verificar se existia droga.
Aí esse meu amigo não só não lhe deu o relógio como fez menção de sair do carro o que os assustou, acabando por abandonar o local.
Tudo isto contado agora, a frio, parece fácil de resolver.
Na altura, acreditem que não é.
Com a pessoa que me contou esta história passada na semana anterior, foi exactamente o mesmo e mais tarde foi-lhe dito por um guarda civil que tinha procedido bem porque, mesmo em carro à paisana, a polícia anda com uniforme.
Foi-lhe relatado por esse polícia que, geralmente, as pessoas saem do carro, deixando a chave na ignição e enquanto um o distrai o outro entra no carro e foge.
Informou mesmo que não se preocupam muito com o facto de irem crianças atrás ou não, que abandonam à sua sorte logo que podem e que esses carros (os de maior cilindrada e valor) nunca mais aparecem estando em crer que se destinam ao norte de África ou Leste Europeu.
Uns quilómetros à frente numa paragem demos com uma polícia a quem o meu amigo relatou o que havia acontecido, dando todas as informações incluindo matrículas, que devem ser falsas obviamente.
A terminar e tendo em consideração que este relato até poderia ser enviado às Embaixadas, devo concluir que espantado fiquei com a morosidade e confusão que está instalada nos meios policiais espanhóis.
Comparando com outro país, tão distante de Espanha em tudo (diz-se), confirmo que foi uma tristeza.
Nenhuma das autoridades contactadas de imediato quis aceitar a denúncia, mandando-me para serviço, atrás de serviço.
Ao fim de contactar 4 serviços lá consegui que ouvissem o meu relato, mas dele nada fariam a não ser que me apresentasse numa esquadra.
Parece caricato, mas comecei a tentar a denúncia na província de Madrid e na última tentativa já estava na de Toledo.
Quer dizer, a vontade de apanhar estes indíviduos não deve ser muita (quiçá porque parece que a abordagem é feita a estrangeiros e não a espanhóis).
O que sempre pensámos foi que, havendo vários carros patrulha nessas vias, na posse das características dos carros e em cima do acontecimento era bem possivel apanhá-los.
Mas não quiseram.
Paciência.
Aqui fica a relato para o passarem a quem entenderem.
Este tipo de situação também poderia acontecer em … (imagine-se) … Portugal!
Talvez tenha ocorrido no passado dia 8 de Abril (Domingo), cerca das 23:00 horas, a um Homem que seguia na Autoestrada A1 e estava perto de Santarém no sentido de Lisboa, quando começou a ser perseguido insistentemente por um automóvel.
O automóvel tinha lá dentro 4 pessoas.
Quando o Homem acelerava o outro também acelerava e quando o Homem abrandava o outro abrandava igualmente.
Isto durou até perto de Alverca!
Já algo preocupado, iamginemos que o Homem decidiu ligar-me pelo telemóvel e contar-me o que se estava a passar.
Enquanto me explicava ao telemóvel esta perseguição, relatou-me o que lhe estava a acontecer nesse preciso momento.
Era o seguinte:
O tal veículo aproximava-se do carro dele pela faixa da esquerda, ficando em paralelo com ele durante algum tempo.
O Homem viu então o indivíduo do lugar ao lado do condutor gesticular e mostrar-lhe algo que lhe pareceu ser um distintivo da polícia, fazendo-lhe sinal para encostar.
O Homem comentou comigo que tencionava encostar pois sabia que tinha estado em excesso de velocidade durante algum tempo.
Pensava ele que iria ser multado.
No entanto eu aconselhei-o vivamente a não parar, pois se se tratasse da polícia, para o mandarem parar teriam que ter luz de emergência no carro e, caso efectivamente quisessem multado, bastava-lhes registar a matrícula do veículo transgressor e enviar depois a multa pelo correio.
Aconselhei-o também a ligar de imediato para o 112 e comunicar a ocorrência, pois se tais srs. fossem da polícia isso seria confirmado de imediato pelo 112.
Bem, lá imaginação e soluções alternativas não me podem acusar. Isto deve ser o resultado de ver tantas séries televisivas acerca de Crimes sob Investigação, em que tudo é resolvido num ápice …
O Homem assim fez e ligou para o 112.
Fiquei sem saber se o auxílio da polícia se fez sentir de forma alguma ...
No 112 confirmaram que não se tratava de um carro da polícia (o Homem descreveu o carro suspeito e deu a respectiva matrícula), disseram-lhe que tinha feito bem em não parar.
No entanto, não quiseram ficar sequer com a identificação do Homem e disseram-lhe, de má vontade, que se quisesse apresentar queixa teria que ir a uma esquadra.
Afinal, pelos vistos, no que diz respeito a ineficácia em acudir a uma emergência, não se distingue por ser portuguesa ou espanhola; antes, poderá ser mundial, e o pior é que se actua assim em quase todo o mundo …
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