23 julho 2007

O erotismo nos meios de comunicação social em Itália está a gerar polémica.

Emma Bonino, Ministra para o Comércio Internacional e para a Política Europeia e protagonista de muitas lutas feministas dos anos 70, diz ter a sensação que o feminismo já não existe em Itália.

O debate e a polémica estão lançados.

A exploração do corpo da mulher em anúncios e programas de televisão está a ser duramente criticada em Itália.

Os críticos vêem este fenómeno como um sinal da derrota das conquistas feministas alcançadas nas últimas décadas.

A polémica chegou a tal ponto que esta semana dois dos principais jornais italianos apareceram nas bancas com os títulos “A Itália é o País das mulheres nuas” e “Onde as mulheres são apenas objectos”.

As publicações concluíam que, passadas três décadas da aprovação da legalização do divórcio e do aborto, dois marcos das conquistas femininas, as italianas parecem não se importar por “estarem a ser exploradas e tratadas como simples objectos”.

Foi o Finantial Times que lançou a primeira pedra do debate ao publicar um artigo de quatro páginas, onde se critica o uso de bailarinas em todos os géneros de programas televisivos e peças publicitárias, dominados por alusões sexuais, e o prevalecimento da mulher como objecto, destinada a excitar os órgãos genitais do homem em vez do cérebro.

O artigo lançou o debate mas a polémica tomou novas proporções com a campanha publicitária da companhia de telefones celulares TIM que utiliza a imagem de uma famosa ex-bailarina vestindo um reduzido biquini vermelho numa pose erótica.

Em declarações à BBC, uma fonte da TIM justificou que o nível de erotismo na publicidade reflecte a cultura do País: “Os publicitários fazem pesquisas de mercado e detectam o que pode melhorar as vendas. Se o retorno é positivo, quer dizer que a maioria dos italianos está satisfeita”.

Emma Bonino disse ter a sensação de que o feminismo já não existe em Itália e lembrou, como exemplo, que actualmente o número de mulheres no Parlamento continua igual ao de 1976.

“Entre seios e traseiros ao ar, estamos a arriscar chegar a um retrocesso cultura do País”, vaticinou, por sua vez, a célebre actriz Francesca Reggiani, em entrevista ao Lá Repubblica. I.D.B.


http://dn.sapo.pt/2007/07/23/media/erotismo_media_esta_a_gerar_polemica.html

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