
“A menina não era uma beldade, mas a imagem própria da beleza.
Era-me impossível dizer se se tratava unicamente de um objecto estético, carente do aperfeiçoamento da psicologia ou, pelo contrário, unicamente psicologia, transrealizada, projecção dos olhares fascinados dos que a rodeavam.
Olhando-a, percebi a razão de por vezes se dizer “beleza arrebatadora”: todos éramos seus reféns, como que esperando, de um momento para o outro, ser sucessiva e cruelmente sacrificados.
E, sem dúvida, a timidez e a inocência eram os seus únicos poderes.
Não podia afirmar quando tinha aparecido na carruagem, mas ao mesmo tempo que eu naquela praça, com as suas lojas luxuosas e palmeiras, e, caminhando erguida no seu sari que enfaixava os ombros e nádegas, dissolveu-se na complicada luz circundante.
Após isto, pensei frequentemente que, se caminhando atrás dela teria chegado a tocar a sua cobertura de seda, ter-se ia voltado para mim, não porque tivesse sentido o contacto, mas porque se teria dado conta de que escorria do seu corpo até aos meus dedos uma parte do seu desconhecido e místico poder interior ...”.
Estas frases bem que poderiam ser um pequeno excerto do que se espera de um grande livro povoado de mulheres de todas as raças, de todas as idades, de todas as condições.
O sexo e o amor podem caminhar lado a lado, com prazer e fraternalmente.
O domínio dos sonhos e dos pesadelos embeleza ou perturba os acontecimentos vividos e marcados na memória de qualquer pessoa.
Aqui são evocadas mulheres, reais e imaginadas, ou realmente imaginadas, e através delas perscruta-se a alma feminina e o misto de fascínio e perplexidade com que desde sempre foi contemplada pelos homens.
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