15 julho 2007

Hoje apetece-me dizer umas verdades: O que todas as pessoas querem é emprego seguro para toda a vida e tempo para a família!

De trabalho já todas as pessoas estão fartas.


Todos procuramos obter ou manter um emprego.

O tempo em família é considerado essencial por todas as pessoas.

Num estudo realizado em 2006 sobre que modalidade laboral preferem os trabalhadores para poderem ter mais tempo para a família, revela que os mesmos gostariam de poder controlar mais o seu horário de trabalho para poder sair mais cedo ou mais tarde, não sendo, de forma alguma, apologistas da redução do horário semanal ou mesmo do trabalho a tempo parcial.

E quais são as razões desta preferência (Factores)?

Bom, é fácil de compreender quais são os verdadeiros interesses das pessoas.

Num trabalho a tempo parcial (“part-time"), a remuneração é insuficiente para suportar os encargos mensais com os agregados familiares e essa opção implica estagnar na carreira.

Todos sabem que optar por trabalhar só quatro horas por dia ou quatro dias por semana prejudica as promoções que as empresas atribuem.

Aliás, as promoções recaem sobre quem tem mais disponibilidade para trabalhar até ao fim da tarde, à noite, por turnos, ao fim-de-semana, ou para aqueles que estão sempre receptivos a aceitar os interesses do empregador (disponibilidade 24 horas por dia).

Existe actualmente um grave problema de gestão pessoal do tempo nas pessoas que afecta fortemente a capacidade de conciliação da vida profissional e da vida familiar.

O critério principal que as pessoas privilegiam mais na escolha de um emprego é conseguir um posto de trabalho que esteja mais perto do local onde os seus familiares mais próximos moram, em que tenham um vínculo contratual duradouro, ou seja, o que eu estou a referir-me é segurança laboral máxima.

O critério secundário será a possibilidade de ter um horário flexível para actividades extra-trabalho ou para acompanhar ou dar apoio ao cônjuge, filhos ou a um familiar a seu cargo (pais idosos, ou um parente com deficiência ou doente).

Só no fim da escolha é que se aponta a remuneração como factor determinante quando se trata de escolher um emprego. Normalmente, esta última opção é associada aos ambiciosos que já têm um lugar assegurado numa empresa, mas querem ir para outra para ganhar mais dinheiro.

Conciliar a vida profissional com a esfera privada é um ponto que todas as pessoas dão cada vez muito mais importância, e as empresas têm que se aperceber disso.

E será que no meio destes interesses, serão os Homens mais discriminados ou as Mulheres mais discriminadas?

A flexibilidade interna no trabalho tem regras que não devem ser definidas, em sede de negociação colectiva, pelos parceiros sociais. Deve ser uma função básica do Estado assegurar as condições para que isso possa ser estabelecido.

A carta comunitária dos direitos sociais fundamentais dos trabalhadores, no Ponto 16, define que há que desenvolver medidas que permitam a ambos os géneros conciliar as obrigações profissionais e familiares.

Mas esta redacção é uma armadilha, para aquelas soluções verdadeiramente eficazes do ponto de vista de reestruturação empresarial.

A conciliação é o equilíbrio entre o trabalho pago e o trabalho não pago (doméstico) e de apoio à vida familiar e que, quase em exclusividade, é exercido pelas mulheres.

Neste aspecto, as medidas comunitárias continuam a ser extremamente insuficientes para garantir aos homens trabalhadores que são pais, o direito a ficar em casa a cuidarem dos filhos.

A manter-se este sistema é o mesmo que aceitar que os homens são dispensáveis e estão dispensados de gastar tempo com a sua família.

O desejo expresso pelos homens (trabalhadores) é terem mais tempo para acompanhar as actividades escolares, desportivas e outras dos seus filhos, mas o Estado ainda está muito longe de ter a pretensão de conceber leis que lhes permitam concretizar tais sonhos.

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