13 julho 2007

A alegria de dar é uma mudança radical na maneira de estar na vida perante os outros.

Num fim-de-semana, um grupo dinamizou uma actividade de animação em de dois lares de idosos com a participação de 50 pessoas, provenientes de vários pontos do país.

O número de participantes foi tão grande que alguns dos membros do grupo total tiveram que ficar na sua terra natal, aproveitando o fim-de-semana, para a realização de outro tipo de actividades.

Durante dois dias, cantou-se, passeou-se e falou-se com os idosos.

Os jovens animaram ainda as celebrações festivas nos lares locais.

O grupo foi acolhido de forma extraordinária pelas equipas que dirigiam e trabalhavam naqueles lares.

Falando sobre a sua participação nesta experiência, uma mulher jovem disse-me que “foi uma experiência intensamente enriquecedora. O carinho, a ternura e a amizade que nos envolveram foram um recarregar de baterias e um redobrar de forças para continuar a dar aos outros aquilo que por vezes nos falta a nós.”

Às vezes é pouco o que temos para dar, mas “esse pouco para os outros pode ser um muito! O importante é nunca deixar de dar com medo de que não seja suficiente: um sorriso, um abraço, um beijo ou mesmo apenas um olhar... A verdade é que para ajudar basta mesmo querer”, acrescenta.

Para esta jovem, a importância de dar não se resume à satisfação da nossa própria realização pessoal.

“É essencial que não nos esqueçamos que o mais importante não é sentirmo-nos bem, mas fazer com que os outros se sintam ainda melhor.

Na verdade, a virtude de ajudar alguém reside na ténue aliança que surge entre o fazer e o ser feliz.

No fundo, seria essa a fórmula fundamental da felicidade: “Tornar os outros felizes intensamente no amor.”.

Com o decorrer da actividade de animação, tal mulher foi observando o rosto dos que resolveram partilhar um pouco de si mesmo.

No fim do primeiro dia, e apesar dos cansaços, os rostos dos jovens transpareciam uma alegria renovada e foram os mesmos que disseram que na verdade a sua postura perante os outros naquele dia funcionava e que se sentiam muito felizes.

Ao dar um sorriso, um abraço ou um pouco de atenção a alguém mais só, estiveram seguramente a tornar o dia daqueles idosos mais bonito e alegre e isso fê-los a ambos mais felizes.

Viver essa experiência, fez-me pensar que se calhar fazia sentido pensar em tornar os outros felizes intensamente no amor.

Este efeito leva-me ao verdadeiro encontro entre seres: Quanto mais me dou ao outro mais perto estou dele.

A descoberta desta constatação não podemos guardá-la dentro de nós.

É necessário transmiti-la e ser testemunho da força poderosa e contagiante que é a gratuidade do amor, e ir ter com os outros, partilhando os nossos dons.

Sobre aquela mulher jovem, por ironia do destino, havia de me cruzar com ela uns anos mais tarde durante a frequência de um programa de Mestrado em Economia Internacional, findo o qual cada qual seguiu a sua vida com uma pequenina diferença: Ela não conseguiu resistir ao chamamento de África e abdicou de uma excelente carreira profissional numa grande multinacional onde se encontrava a trabalhar no topo da administração e partiu para ser útil num projecto de criação de condições básicas (escola, casas, esgotos, etc.) numa aldeia situada no meio de um nada …

Atrevam-se a amar ... todos os dias!

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